Entrevista
Paulo Cezar Pereira Soares
Setembro de 2010
No mês de setembro o nosso entrevistado e o Paulo Cezar Pereira Soares, brasileiro, filho de imigrante português que desde a sua infância participa ativamente do convívio da colonia portuguesa.
Nome:
Paulo Cezar Pereira Soares
Data e local de nascimento:
26/06/1953
Local de nascimento:
Rio de Janeiro
Filiação:
Delfin Antunes Soares(natural de Viseu) e Olinda Nunes Pereira Soares(brasileira).
Casado, filhos, netos?
Casado com Leonilde Marques Soares, pai de Rodrigo Marques Soares e Rafael Marques Soares, avô de Lucas de Medeiros Soares(3 anos) e Gabriel Couto Marques Soares(7 meses).
Ano e onde começou no folclore?
No Orfeão Português no ano de 1960, levado pelo meu tio Adriano para fazer parte do grupo folclórico.
Entrada na Casa do Minho?
Em junho de 1968 junto com o meu irmão Luiz Carlos, fomos levados pelo meu pai que na época tinha saído do Orfeão Português e foi convidado pelo Agostinho dos Santos para ser diretor da Casa do Minho.
Onde conheceu sua esposa?
Na Casa do Minho, fazíamos parte os dois do Rancho Maria da Fonte.
Espera que os netos também sigam o mesmo caminho?
Espero que eles tenham o mesmo gosto dos avós e dos pais.
Já fez parte de outra casa regional ou rancho folclórico?
Sim, como disse acima o meu inicio foi no Orfeão Português, depois Casa do Minho, em 1989 depois de me afastar como ensaiador do Maria da Fonte e do rancho juvenil, fui convidado pelo Camarão para ser ensaiador do G.F. Verde Gaio, depois fui diretor social do Clube Recreativo Português de Jacarepaguá a convite do amigo Agostinho de Almeida, depois fui convidado pelo presidente Adão Ribeiro dos Santos para ser diretor de secretaria da Casa da Vila da Feira, a seguir na Vila da Feira a convite do presidente Ernesto Boaventura fui vice presidente social, passei a ser vice presidente artístico e finalmente ensaiador dos grupos folclóricos Manuel Laranjeira e Almeida Garrett.
Já viajou à Portugal?
Sim, duas vezes, em 1988 na Caravana do Jornal Portugal em Foco de Benvinda Maria como ensaiador convidado e em 1994 como vice-presidente artístico do G.F.Almeida Garrett.
O que você achou de Portugal?
Uma terra maravilhosa e um povo amigo e admirador dos brasileiros.
Com 50 anos de Folcore, você teve alguma passagem marcante?
Sim, duas. Uma triste para mim, que foi a minha saída em 1989 da Casa do Minho, até hoje fico um pouco triste por tudo como aconteceu, e a outra muito feliz para mim e que eu a considero muito importante, que veio coroar a minha passagem como folclorista, foi de ter sido escolhido o melhor ensaiador no mesmo ano por 4 programas radiofônicos portugueses diferentes, feito esse que até hoje nenhum outro ensaiador conseguiu.
O que você acha dos grupos folclóricos de hoje em comparação aos da sua época de folclorista?
Eu acho que no passado nos tínhamos um maior comprometimento com o grupo e a casa, hoje vejo que os grupos passaram a ser mais um lazer, aquele comprometimento ficou em segundo plano.
Você é a favor dos festivais de folclore?
Sim, quando os mesmos são bem organizados e dirigidos por pessoas do meio do folclore, que tenham conhecimento de causa e valorizem o que ali vai se realizar, não e deixar na mão de pessoas que nunca foram folcloristas, não sabem distinguir a região que um e outro representam, o que é um vira ou uma chula, infelizmente são essas figuras que aparecem do nada e começam a dar palpite sem conhecimento de causa, com isso a tendência e os grupos aos poucos não participarem mais, como o ultimo festival realizado onde o nível de alguns grupos presentes foi lastimável.
Hoje você continua em atividade no folclore?
Sim, faço parte do Rancho dos Veteranos da Casa do Minho como seu apresentador e agora também a convite do presidente Agostinho dos Santos estou como diretor de secretaria da Casa do Minho e responsável pelo site da Casa do Minho.
O que você acha do esvaziamento das casas regionais em suas festas?
Primeiramente acho que a violência afastou muito o publico, não só das casas regionais mais num todo e depois a falta de criatividade nas programações sociais delas, uma lança arraial com sardinha outra lança o churrasco, as demais foram e passaram a fazer igual ou quase igual, haja visto que hoje apenas a Casa do Minho mantém a mais de 30 anos em sua programação social o arraial Quinta de Santoinho.
Um presidente:
Todos com os quais convivi, pois esses homens merecem todo nosso respeito e admiração por tudo que eles fizeram e fazem pelas nossas casas, porque e uma luta constante, dia a dia pela sobrevivência delas.
Uma casa regional:
Eu indico três, o Orfeão Português onde tudo começou, Casa do Minho e o Maria da Fonte que sem duvida nenhuma e o grande desejo de todo folclorista, foi a minha realização e a Casa da Vila da Feira que me abriu as portas e recebeu a mim e a minha família, após a minha saída da Casa do Minho.
Um rancho folclórico(ou mais): O Maria da Fonte por tudo que me proporcionou e o Almeida Garrett do ano de 1994 do qual eu era seu vice-presidente na nossa viagem a Portugal.
Um ensaiador:
Eu tive a felicidade de ter grandes ensaiadores dos quais procurei tirar muito para meu conhecimento, começando pelo Gaspar, Augusto, Celestino e Eleutério Henriques no Orfeão Português, na Casa do Minho Benjamin Pires, Agostinho dos Santos, Souza e o Nogueira, agora gostaria de aproveitar a oportunidade para prestar uma homenagem a um grande ensaiador, apesar de não ter tido a felicidade de telo como ensaiador, o saudoso amigo Ernesto Leite Horto.
Um casal de folcloristas: Eu convivi com grandes folcloristas, mais na minha visão que sempre procurei valorizar o conjunto de um grupo, indico o Luis Soares, José Carlos, Fátima Souza e a Cristina Figueiredo.
Um cantador e cantadeira:
Vi grandes cantadores e cantadeiras nos nossos ranchos aqui no Rio de Janeiro, para mim esses são os melhores: Isaura Milhazes, Rosa Rodrigues, Gracinda, Noêmia, Maria Soares, Barreto, Adriano, Pinheiro e o Pezinho.
Um diretor artístico(ou mais):
Todos foram muito importantes para mim, Bernardino Alves dos Reis, Benjamin Pires, Delfin Soares, Agostinho dos Santos, Odir Pinto Ferreira e Joaquim Fernandes.
Um apresentador(ou mais):
Sem duvida nenhuma, o nosso mestre Odir Pinto Ferreira.
Uma personalidade da nossa comunidade:
Ele e uma pessoa que muito faz e pouco aparece, um cidadão correto e integro Dr. Albano da Rocha Ferreira.
Torcedor no Brasil e em Portugal?
Sou vascaíno e benfiquista
Qual a sua escola de samba preferida?
Sou Mangueira de coração e Unidos da Tijuca por devoção.
Anterories:
Agosto de 2010 - Manuel Alves Nogueira
Julho de 2010 - Leonilde Soares
Junho de 2010 - Cristina Gomes Figueiredo
Maio de 2010 - Carlos Alberto Correia da Silva
Abril de 2010 - José Carlos
Março de 2010 - Eleutério Henriques Cardoso